Mudanças inesperadas me desorganizam profundamente. Preciso de rotina, previsibilidade e estrutura. Viajar, por exemplo, só é possível quando tudo é planejado com antecedência: datas, horários, trajetos, local, rotina e até possíveis imprevistos. Sem isso, a ansiedade toma conta antes mesmo da viagem começar. Por isso, minha esposa organiza nossas viagens meses antes. Ela planeja cada detalhe com calma, antecipa informações, constrói o caminho antes de a viagem existir de fato. Esse cuidado não é excesso de controle: é acolhimento. Quando sei o que vai acontecer, meu corpo se acalma. Minha mente encontra chão. E a viagem deixa de ser ameaça para se tornar possibilidade. Rotina não é rigidez. É sustentação. E, às vezes, também é amor em forma de planejamento.
Um espaço sobre autismo, experiências, neurodiversidade e inclusão, a partir do olhar de um adulto autista.