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Cérebro lógico

Meu cérebro como um computador e minha afinidade por ambientes lógicos

Desde muito cedo percebi que meu cérebro não funciona como a maioria das pessoas imagina. Eu gosto de dizer que ele funciona como se fosse um computador. Não é metáfora vazia, é a forma mais próxima de explicar a maneira como eu percebo e processo o mundo.

Um computador recebe informações, interpreta os comandos e só depois apresenta um resultado. No meu caso, é assim com as emoções das pessoas.

Quando alguém demonstra raiva contra mim, por exemplo, seja por palavras duras ou gestos bruscos, eu não percebo de imediato o que está acontecendo. Primeiro, registro a informação de forma lógica: a pessoa falou alto, a expressão facial mudou, o tom ficou agressivo. Só depois de algum tempo é que meu cérebro conecta tudo isso e entende: “ela está com raiva de mim”.

O mesmo acontece com o amor ou carinho: eu entendo melhor quando é repetido em ações consistentes, do que apenas em sinais rápidos, como um sorriso ou um gesto afetuoso inesperado. Para mim, o amor precisa ser decodificado com tempo, como se fosse um arquivo grande que demora para abrir.

Isso não significa que eu seja frio ou indiferente. Pelo contrário: sinto profundamente. A diferença é que o sentimento chega atrasado, depois de já ter processado tudo logicamente. É como se meu coração recebesse a emoção por uma porta diferente.

Muita gente acha que, por eu ter essa afinidade com ambientes lógicos, eu prefiro computadores a pessoas. E de fato, tenho mais facilidade com eles. Computadores seguem regras claras, comandos previsíveis, sistemas que podem ser entendidos sem ambiguidades. Com as pessoas, a comunicação é cheia de entrelinhas, ironias, expressões não ditas. Para mim, isso é confuso. Mas quero deixar claro: eu não odeio pessoas.

Eu só tenho dificuldade em compreender esses sinais ambíguos de ser.

Por exemplo:

  • Se alguém sorri mas está triste por dentro, eu posso não perceber. Para mim, sorriso é sorriso.
  • Se alguém diz “tudo bem” com um tom diferente, talvez eu não note que, na verdade, não está nada bem.
  • Já o computador, se mostra uma mensagem de erro, é porque há um erro. Não há duplo sentido.

Essa diferença explica por que, muitas vezes, as pessoas me procuram quando precisam de ajuda com tecnologia ou lógica. Porque nesse campo eu me sinto em casa. O computador não exige que eu decifre emoções ocultas. Ele simplesmente responde ao que foi pedido.

Mas, com as pessoas, mesmo com toda a minha dificuldade, eu tento.

E, na medida em que aprendo com a vida, com minha esposa, com a música e com meu jeito autista de ser, vou criando minhas próprias estratégias para conviver, sem precisar fingir ser quem não sou.

📌 Conclusão:

Meu funcionamento cerebral é como um computador: processa primeiro a lógica e só depois as emoções. Isso me aproxima de ambientes lógicos e me afasta, em parte, da rapidez do mundo social. Mas isso não é ódio, é apenas um jeito diferente de ser humano.


O que será que estão falando?
Imagem: IA 

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