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Artigos e vivências sobre autismo na vida adulta.

Diagnóstico tardio de autismo em adultos: quando finalmente entendi minha história

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Durante grande parte da minha vida, eu não sabia que era autista. Eu apenas acreditava que era diferente. Era o menino quieto, o adolescente tímido, o adulto reservado. Preferia observar a participar. Sentia um enorme cansaço em ambientes barulhentos. Conversar com muitas pessoas ao mesmo tempo exigia um esforço que ninguém parecia perceber. Mudanças de rotina me deixavam desconfortável, e muitas situações sociais pareciam seguir regras invisíveis que eu nunca conseguia compreender completamente. Mesmo assim, segui em frente. Estudei, trabalhei, construí minha família, enfrentei desafios e procurei fazer o meu melhor em cada etapa da vida. Como muitas pessoas que recebem um diagnóstico tardio de autismo, aprendi desde cedo a me adaptar, mesmo sem entender por que algumas tarefas simples para a maioria exigiam tanto esforço de mim. Durante muitos anos, procurei respostas. Será que eu era apenas tímido? Será que precisava me esforçar mais? Será que um dia aprenderia a ser como as outras ...

Mundo Atípico: não sou defeito, sou diferente

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Durante grande parte da minha vida, as pessoas viam em mim apenas um homem tímido, quieto, reservado ou "diferente". Poucos percebiam o que realmente acontecia dentro de mim. Desde criança, sempre observei mais do que participei. Enquanto muitos conversavam com facilidade, eu preferia ouvir. Enquanto outros pareciam se adaptar naturalmente aos ambientes, eu sentia cada detalhe: os barulhos, as mudanças, as expressões das pessoas e até aquilo que ninguém parecia notar. Por muitos anos, não encontrei explicação para isso. Eu apenas seguia em frente, acreditando que precisava me esforçar mais para ser como os outros. Mas, por mais que tentasse, sempre existia algo que me fazia sentir diferente. O diagnóstico tardio de autismo trouxe respostas que eu procurei durante décadas. Muitas experiências da minha vida finalmente passaram a fazer sentido. Não era preguiça. Não era falta de vontade. Não era falta de inteligência. Também não era escolha. Era autismo. Era uma forma diferente ...

A tecnologia na minha vida

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MAIS DO QUE FACILIDADE, UMA FORMA DE INCLUSÃO Vivemos em um mundo que muda rapidamente. A tecnologia avança todos os dias e, com isso, transforma a forma como trabalhamos, nos comunicamos e vivemos. No meu caso, a tecnologia não é apenas uma ferramenta moderna: ela é essencial para minha qualidade de vida. Como uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), sempre enfrentei dificuldades em ambientes com muito barulho, excesso de estímulos e interações sociais intensas. Essas situações podem gerar ansiedade e desconforto. É nesse ponto que a tecnologia se torna uma grande aliada. Por meio dela, consigo me comunicar com mais tranquilidade. Aplicativos de mensagem, redes sociais e ferramentas digitais me dão tempo para pensar, organizar minhas ideias e me expressar com clareza. Diferente das conversas presenciais, onde tudo acontece muito rápido, o ambiente digital respeita meu tempo. No trabalho, a tecnologia também é indispensável. Atuando na área administrativa e com digitação, u...

Do Operacional ao Estratégico

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Minha Caminhada como Técnico de Gestão Pública (TGP): Um Olhar Autista Sobre Crescimento Profissional Quando a gente fala em carreira pública, muita gente imagina estabilidade. Mas, na prática, existe algo muito mais profundo: processo, evolução e consciência do próprio papel dentro do sistema . Hoje eu quero explicar, de forma simples e real, a diferença entre os três níveis do cargo de Técnico de Gestão Pública (TGP): Classe A, Classe B e Classe C. E mais do que isso, quero mostrar como essa evolução aconteceu na minha própria vida. Classe A (TGPA01): O começo (aprender fazendo) Quando entrei na Prefeitura de Londrina, comecei como TGP Classe A . Esse é o nível mais básico. Aqui, o trabalho é essencialmente operacional: Atendimento ao público Organização de documentos Protocolos Digitação Rotinas administrativas simples É o nível onde a gente aprende o funcionamento do sistema por dentro. Sem glamour. Sem autonomia. Mas com muito aprendizado. No meu caso, foi um período importante. M...

Quando o padrão vira necessidade

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Eu demorei anos para entender isso. Durante muito tempo, eu pensei que era apenas uma característica minha: “Eu gosto das coisas organizadas.” “Eu prefiro fazer tudo do meu jeito.” Mas não era só isso. Era mais profundo. O cérebro pede previsibilidade No Transtorno do Espectro Autista , a rotina não é apenas preferência. Ela é uma forma de equilíbrio. Quando tudo segue um padrão, a mente descansa. Quando algo sai do esperado… o corpo sente. E nem sempre as pessoas ao redor entendem isso. O padrão aparece nos detalhes Não é algo escancarado. Muitas vezes passa despercebido: até por quem vive isso. Pode ser assim: Fazer as coisas sempre na mesma ordem Usar o mesmo caminho todos os dias Comer as mesmas comidas Repetir pequenos hábitos sem perceber Pensar demais sobre a mesma situação Por fora, parece organização. Por dentro, é necessidade. O problema não é a rotina: é a quebra dela O ponto central não é gostar de padrão. É o que acontece quando ele quebra. Uma mudança simples pode gerar: ...

Não é falta de capacidade, é falta de ajuste

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Eu não sou incapaz. E isso precisa ser dito com clareza. Eu não tenho deficiência intelectual. Tenho formação superior, especializações e uma mente que funciona: e funciona bem. Eu penso, analiso, aprendo, produzo. Sempre fui capaz. Mas durante muito tempo, me fizeram acreditar que o problema estava em mim. Hoje eu entendo: o problema nunca foi minha capacidade. O problema foi o ambiente. Minhas dificuldades existem: e eu não nego isso. Mas elas não são cognitivas. Elas são sociais. São sensoriais. São comunicacionais. São os barulhos que invadem minha mente como se não tivessem filtro. São as interações cheias de códigos ocultos que ninguém explica, mas todos esperam que eu entenda. São ambientes que exigem adaptação constante, como se eu tivesse que me moldar o tempo todo para caber. E isso cansa. Isso desgasta. Isso adoece. Quando o ambiente me respeita, algo muda completamente. Eu consigo me concentrar. Consigo participar. Consigo ser quem eu sou: sem esforço extremo. Mas quando nã...

Quando adoecer tira minha autonomia

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Em momentos de crise, doença ou estresse intenso, minha autonomia não desaparece: ela diminui. E diminui muito. Fico confuso. Desorientado. Tenho dificuldade de compreender orientações simples, de processar informações, de responder com clareza. É como se minha mente ficasse sobrecarregada, lenta, distante de mim mesmo. No ambiente hospitalar, isso se intensifica. Nesses momentos, minha esposa deixa de ser apenas companheira: ela se torna meu elo com o mundo. É através dela que consigo entender o que está acontecendo e também me fazer entendido. Ela traduz o ambiente para mim, organiza o caos, me devolve um pouco de segurança. Sem esse apoio, o sofrimento não é apenas físico. Ele se torna emocional, mental, profundo. Por isso, no meu caso, autonomia não é algo fixo. Autonomia é algo que varia conforme o contexto. E reconhecer isso não me diminui. Pelo contrário: me humaniza.

O que é a Síndrome de Asperger? O que esse termo significa para mim

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Entenda o que era a Síndrome de Asperger, por que esse termo passou a integrar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o que essa descoberta significou na minha vida como adulto autista diagnosticado tardiamente. Durante muitos anos, eu não sabia por que me sentia diferente das outras pessoas. Eu apenas seguia a vida tentando compreender por que algumas situações, aparentemente simples para a maioria, exigiam tanto esforço de mim. Ambientes barulhentos me cansavam. Interações sociais eram desgastantes. Mudanças inesperadas de rotina geravam ansiedade. Muitas vezes eu não compreendia mensagens indiretas, ironias ou regras sociais que pareciam naturais para os outros. Essas características sempre fizeram parte da minha vida. A diferença é que, durante muito tempo, elas não tinham um nome. Quando recebi meu diagnóstico na vida adulta, conheci um termo que muitas pessoas ainda utilizam: Síndrome de Asperger . Na época, essa expressão era usada para descrever pessoas autistas que não apres...

Masking: quando fingir cansa mais do que trabalhar

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Durante muito tempo, tentei parecer normal. Sorri, forcei interação, permaneci em ambientes que me adoeciam. No atendimento ao público, eu conseguia lidar com demandas práticas, mas o custo mental era altíssimo. Até que o corpo e a mente não sustentaram mais. Masking funciona por um tempo. Depois, cobra a conta.

Hiperfocos: onde minha mente descansa

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A música sempre foi um lugar seguro para mim. Sou saxofonista e violonista. Na música, a comunicação flui sem exigir leitura social, ironias ou jogos de poder. Também gosto de desenhar, escrever e lidar com tecnologia. Nessas áreas, minha mente encontra ordem, lógica e previsibilidade. O hiperfoco não é fuga do mundo. É um jeito de permanecer nele sem adoecer.

Quando a rotina me mantém de pé

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Mudanças inesperadas me desorganizam profundamente. Preciso de rotina, previsibilidade e estrutura. Viajar, por exemplo, só é possível quando tudo é planejado com antecedência: datas, horários, trajetos, local, rotina e até possíveis imprevistos. Sem isso, a ansiedade toma conta antes mesmo da viagem começar. Por isso, minha esposa organiza nossas viagens meses antes. Ela planeja cada detalhe com calma, antecipa informações, constrói o caminho antes de a viagem existir de fato. Esse cuidado não é excesso de controle: é acolhimento. Quando sei o que vai acontecer, meu corpo se acalma. Minha mente encontra chão. E a viagem deixa de ser ameaça para se tornar possibilidade. Rotina não é rigidez. É sustentação. E, às vezes, também é amor em forma de planejamento.

O barulho cansa mais do que o trabalho

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Ambientes barulhentos me adoecem. Conversas paralelas, falas altas, ruídos constantes não são apenas incômodos: são agressivos. No trabalho, muitas vezes o cansaço não vem da tarefa, mas do ambiente. O barulho consome energia, desorganiza o pensamento e aumenta a ansiedade. No fim do dia, não estou cansado porque trabalhei demais. Estou exausto porque precisei filtrar estímulos o tempo todo. Autismo também é isso: lutar para pensar em ambientes que não silenciam.

Quando tudo é dito nas entrelinhas

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Tenho muita dificuldade em entender mensagens implícitas, ironias, metáforas e falas indiretas. Quando algo não é dito de forma clara, objetiva e direta, eu simplesmente não entendo por completo. Se um texto usa códigos, significados escondidos ou espera que eu “deduza” algo que não está explícito, eu travo. Nessas situações, muitas vezes preciso que outra pessoa me explique: “o que exatamente esse texto quer dizer?” Isso acontece muito em pregações religiosas . O pregador faz a exposição do tema, mas quando entra nos exemplos “nas entrelinhas”, nas metáforas ou nas mensagens indiretas, eu me perco. As pessoas ao redor parecem compreender naturalmente. Eu não. Na faculdade , isso foi ainda mais difícil. Os textos de sociologia são, em grande parte, escritos nas entrelinhas. O autor não diz tudo de forma direta. O professor faz perguntas esperando respostas que não estão literalmente no texto. Os colegas entendem rápido. Eu não. Eu estudava, lia, relia, tentava entender… mas não era fác...

Contato visual

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Contato visual não é atenção, é sobrecarga Desde criança, olhar nos olhos das pessoas me causa desconforto. Não é desinteresse, não é falta de educação e não é arrogância. É sobrecarga. Quando alguém exige contato visual, meu cérebro precisa dividir energia entre ouvir, compreender, formular resposta e sustentar o olhar. Isso reduz drasticamente minha capacidade de entender o que está sendo dito. Por isso, muitas vezes olho para outro ponto, para a mesa, para o chão ou para o vazio. É assim que consigo escutar melhor. É assim que consigo processar. Autistas não precisam ser treinados para olhar nos olhos. O mundo é que precisa aprender que atenção não se mede pelo olhar.

Feliz Natal

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Jesus veio para todos (inclusive para quem se sente quebrado) Jesus não veio apenas para os que se acham fortes. Ele não veio só para os inteligentes, os bem-sucedidos, os que falam bonito, os que se encaixam, os que parecem espiritualmente corretos. Jesus veio para todos. Veio para quem carrega falhas. Para quem convive com limites. Para quem tem um “ espinho na carne ” que não escolheu, mas aprendeu a suportar. Para quem se sente inadequado em um mundo que exige perfeição o tempo todo. O amor de Cristo nunca foi um prêmio para os perfeitos. Sempre foi remédio para os feridos. Quando Jesus se aproxima, Ele não pergunta se a pessoa é funcional, produtiva, forte ou admirável aos olhos da sociedade. Ele olha o coração cansado, a alma sobrecarregada, a história marcada por rejeições silenciosas. E é nesse encontro que algo muda. Não porque a imperfeição desaparece, mas porque ela deixa de ser um motivo de vergonha. Em Cristo, a falha não define o fim da história. O limite não é sentença...

Eu pareço funcional, mas não é tão simples

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Muitas pessoas olham para mim e veem alguém funcional. Eu recebo uma tarefa, executo e entrego. Vou ao mercado, resolvo questões do trabalho, cumpro rotinas. Para quem observa de fora, parece simples. Para mim, não é. Antes de qualquer tarefa, minha mente cria vários quadros ao mesmo tempo. Penso no que pode dar errado, no que pode dar certo, em como devo agir se algo sair do esperado, em como falar, onde ficar, quanto tempo pode levar. Tudo isso acontece antes mesmo de eu sair do lugar. Enquanto executo a tarefa, esse processamento continua. O resultado final pode parecer simples, mas o caminho interno até chegar a ele é cansativo, altamente estruturado e exige um gasto cognitivo enorme. O problema é que esse esforço não aparece. E quando não aparece, ele costuma ser desconsiderado. Ser autista adulto muitas vezes é exatamente isso: funcionar por fora, esgotar por dentro.

O rótulo da timidez

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Desde criança, me chamavam de tímido. No começo, eu nem sabia exatamente o que essa palavra significava. Ela foi entrando na minha vida aos poucos, como tantas outras coisas que eu aprendi observando, escutando, juntando pedaços. Não me incomodava. Era apenas um nome que davam ao meu jeito de ser. Eu sempre fui mais quieto. Observador. Gostava de ficar no meu canto, pensar, olhar, entender o mundo sem precisar participar dele o tempo todo. Isso nunca foi sofrimento para mim. Era o meu funcionamento natural. Eu acreditava que era assim que eu era, e estava tudo bem. O problema começou quando esse rótulo saiu do campo neutro e entrou no campo moral. Quando passei a participar das reuniões da igreja, ouvi algo que mudou completamente o peso daquela palavra. Pregadores diziam, em tom de certeza absoluta, que pessoas tímidas não tinham parte com Deus. Que a timidez era sinal de falta de fé. Que quem era tímido estava condenado ao inferno. Eu não tinha ferramentas para questionar aquilo. Eu ...

Quando Descobri Quem Eu Era de Verdade

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Reflexões de um Autista Adulto que Passou a Vida Mascarando a Si Mesmo Por muito tempo, eu fui um personagem. Mas não um personagem por escolha, e sim por sobrevivência. Passei a infância e adolescência tentando parecer “normal”, tentando me encaixar em um mundo que não parecia feito para mim. Barulhos, falatórios, olhares, expectativas sociais… tudo parecia pesado demais. Eu achava que o problema era comigo. E, na ausência de respostas, o que eu fiz foi imitar o que eu via. Copiar trejeitos, expressões, formas de falar, de agir. Eu aprendi a ser neurotípico sem nunca ter sido. Recentemente, descrevi essa sensação a alguém: é como crescer em uma família brasileira e, aos 40 anos, descobrir que você foi trocado na maternidade e sua família verdadeira era de outra nacionalidade. De repente, tudo faz sentido, mas também tudo desmorona. A língua, os costumes, os códigos sociais… nada era realmente seu. Essa descoberta me atravessou profundamente e, ao mesmo tempo, abriu espaço para um alív...

Cérebro lógico

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Meu cérebro como um computador e minha afinidade por ambientes lógicos Desde muito cedo percebi que meu cérebro não funciona como a maioria das pessoas imagina. Eu gosto de dizer que ele funciona como se fosse um computador . Não é metáfora vazia, é a forma mais próxima de explicar a maneira como eu percebo e processo o mundo. Um computador recebe informações, interpreta os comandos e só depois apresenta um resultado. No meu caso, é assim com as emoções das pessoas . Quando alguém demonstra raiva  contra mim, por exemplo, seja por palavras duras ou gestos bruscos, eu não percebo de imediato o que está acontecendo. Primeiro, registro a informação de forma lógica: a pessoa falou alto, a expressão facial mudou, o tom ficou agressivo. Só depois de algum tempo é que meu cérebro conecta tudo isso e entende: “ela está com raiva de mim”. O mesmo acontece com o amor ou carinho : eu entendo melhor quando é repetido em ações consistentes, do que apenas em sinais rápidos, como um sorriso ou um...

Uma Viagem Inesperada

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Um olhar autista sobre o filme Miracle Run e o poder do amor materno, da música e da aceitação Assistir ao filme Uma Viagem Inesperada – Missão Especial (Miracle Run) não foi só cumprir uma tarefa da faculdade. Foi como abrir uma janela para o passado e enxergar minha própria vida refletida na tela, mas com outros nomes, outras vozes, outras dores e esperanças que são, no fundo, as mesmas. A história da mãe Corrine e seus filhos gêmeos autistas, Stephen e Phillip, é baseada em fatos reais, e talvez por isso tenha mexido tanto comigo. Corrine é o tipo de mãe que não espera o mundo entender seus filhos para começar a lutar por eles. Ela enfrenta o abandono do marido, o preconceito da sociedade e o desconhecimento sobre o autismo com coragem, amor, força e como tantas outras mães atípicas, ela não desiste. Ela acredita. O filme mostra que o autismo não é algo a ser “curado”, mas compreendido, respeitado e acolhido. É sobre oportunidades, não sobre limitações. Quando sair do carro é ...