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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Hiperfocos: onde minha mente descansa

A música sempre foi um lugar seguro para mim. Sou saxofonista e violonista. Na música, a comunicação flui sem exigir leitura social, ironias ou jogos de poder. Também gosto de desenhar, escrever e lidar com tecnologia. Nessas áreas, minha mente encontra ordem, lógica e previsibilidade. O hiperfoco não é fuga do mundo. É um jeito de permanecer nele sem adoecer.

Quando a rotina me mantém de pé

Mudanças inesperadas me desorganizam profundamente. Preciso de rotina, previsibilidade e estrutura. Viajar, por exemplo, só é possível quando tudo é planejado com antecedência: datas, horários, trajetos, local, rotina e até possíveis imprevistos. Sem isso, a ansiedade toma conta antes mesmo da viagem começar. Por isso, minha esposa organiza nossas viagens meses antes. Ela planeja cada detalhe com calma, antecipa informações, constrói o caminho antes de a viagem existir de fato. Esse cuidado não é excesso de controle: é acolhimento. Quando sei o que vai acontecer, meu corpo se acalma. Minha mente encontra chão. E a viagem deixa de ser ameaça para se tornar possibilidade. Rotina não é rigidez. É sustentação. E, às vezes, também é amor em forma de planejamento.

O barulho cansa mais do que o trabalho

Ambientes barulhentos me adoecem. Conversas paralelas, falas altas, ruídos constantes não são apenas incômodos: são agressivos. No trabalho, muitas vezes o cansaço não vem da tarefa, mas do ambiente. O barulho consome energia, desorganiza o pensamento e aumenta a ansiedade. No fim do dia, não estou cansado porque trabalhei demais. Estou exausto porque precisei filtrar estímulos o tempo todo. Autismo também é isso: lutar para pensar em ambientes que não silenciam.

Quando tudo é dito nas entrelinhas

Tenho muita dificuldade em entender mensagens implícitas, ironias, metáforas e falas indiretas. Quando algo não é dito de forma clara, objetiva e direta, eu simplesmente não entendo por completo. Se um texto usa códigos, significados escondidos ou espera que eu “deduza” algo que não está explícito, eu travo. Nessas situações, muitas vezes preciso que outra pessoa me explique: “o que exatamente esse texto quer dizer?” Isso acontece muito em pregações religiosas. O pregador faz a exposição do tema, mas quando entra nos exemplos “nas entrelinhas”, nas metáforas ou nas mensagens indiretas, eu me perco. As pessoas ao redor parecem compreender naturalmente. Eu não. Na faculdade, isso foi ainda mais difícil. Os textos de sociologia são, em grande parte, escritos nas entrelinhas. O autor não diz tudo de forma direta. O professor faz perguntas esperando respostas que não estão literalmente no texto. Os colegas entendem rápido. Eu não. Eu estudava, lia, relia, tentava entender… mas não era fácil...