Em momentos de crise, doença ou estresse intenso, minha autonomia não desaparece: ela diminui. E diminui muito.
Fico confuso. Desorientado. Tenho dificuldade de compreender orientações simples, de processar informações, de responder com clareza. É como se minha mente ficasse sobrecarregada, lenta, distante de mim mesmo.
No ambiente hospitalar, isso se intensifica.
Nesses momentos, minha esposa deixa de ser apenas companheira: ela se torna meu elo com o mundo. É através dela que consigo entender o que está acontecendo e também me fazer entendido. Ela traduz o ambiente para mim, organiza o caos, me devolve um pouco de segurança.
Sem esse apoio, o sofrimento não é apenas físico. Ele se torna emocional, mental, profundo.
Por isso, no meu caso, autonomia não é algo fixo.
Autonomia é algo que varia conforme o contexto.
E reconhecer isso não me diminui.
Pelo contrário: me humaniza.

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