Eu pareço funcional, mas não é tão simples

Muitas pessoas olham para mim e veem alguém funcional. Eu recebo uma tarefa, executo e entrego. Vou ao mercado, resolvo questões do trabalho, cumpro rotinas. Para quem observa de fora, parece simples. Para mim, não é.

Antes de qualquer tarefa, minha mente cria vários quadros ao mesmo tempo. Penso no que pode dar errado, no que pode dar certo, em como devo agir se algo sair do esperado, em como falar, onde ficar, quanto tempo pode levar. Tudo isso acontece antes mesmo de eu sair do lugar. Enquanto executo a tarefa, esse processamento continua.

O resultado final pode parecer simples, mas o caminho interno até chegar a ele é cansativo, altamente estruturado e exige um gasto cognitivo enorme. O problema é que esse esforço não aparece. E quando não aparece, ele costuma ser desconsiderado.

Ser autista adulto muitas vezes é exatamente isso: funcionar por fora, esgotar por dentro.



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