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O Gesso e o Grito Invisível: Memória Sensorial de um Braço Quebrado

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Não lembro o momento exato em que quebrei o braço. Talvez porque eu não entendi o que estava acontecendo. Só lembro da dor, estranha, silenciosa, incompreensível. Meu braço não mexia direito. E eu não sabia por quê. Ninguém percebeu. Nem meu pai. Nem minha mãe. Mas isso não me surpreende. Eu já era o menino que não deixava ninguém encostar. Já era o menino do silêncio, dos gestos retraídos, do incômodo oculto. Era mais fácil pensarem que era “mais um comportamento meu”. Mas não era. Era fratura. Foi um amigo da família que notou. Ele viu meu jeito de andar, de proteger o braço. Alertou meus pais. Meu pai me levou ao médico. E o diagnóstico caiu como um susto que explicava o inexplicável: Meu braço estava quebrado. Já estava até colando errado. O médico precisou quebrar de novo, para consertar. E por incrível que pareça, esse momento não me marcou tanto quanto o que veio depois. O gesso. O gesso era uma prisão sensorial. Um peso que não me pertencia. Uma roupa que não saía. As coceiras ...