O que é a Síndrome de Asperger? O que esse termo significa para mim
Entenda o que era a Síndrome de Asperger, por que esse termo passou a integrar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o que essa descoberta significou na minha vida como adulto autista diagnosticado tardiamente.
Durante muitos anos, eu não sabia por que me sentia diferente das outras pessoas.
Eu apenas seguia a vida tentando compreender por que algumas situações, aparentemente simples para a maioria, exigiam tanto esforço de mim. Ambientes barulhentos me cansavam. Interações sociais eram desgastantes. Mudanças inesperadas de rotina geravam ansiedade. Muitas vezes eu não compreendia mensagens indiretas, ironias ou regras sociais que pareciam naturais para os outros.
Essas características sempre fizeram parte da minha vida.
A diferença é que, durante muito tempo, elas não tinham um nome.
Quando recebi meu diagnóstico na vida adulta, conheci um termo que muitas pessoas ainda utilizam: Síndrome de Asperger.
Na época, essa expressão era usada para descrever pessoas autistas que não apresentavam deficiência intelectual e que desenvolveram a linguagem sem atrasos significativos. Hoje, com o avanço das pesquisas, a compreensão sobre o autismo evoluiu.
Atualmente, as principais classificações internacionais passaram a reunir essas características dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em outras palavras, a antiga Síndrome de Asperger passou a fazer parte do espectro do autismo, reconhecendo que cada pessoa apresenta características, necessidades e formas de funcionamento únicas.
Por isso, quando alguém me pergunta se tenho Síndrome de Asperger ou autismo, minha resposta é simples:
Sou uma pessoa autista.
Essa é a terminologia utilizada atualmente.
Mesmo assim, continuo usando a expressão Síndrome de Asperger em alguns momentos.
Faço isso porque milhares de pessoas ainda pesquisam por esse nome. Muitos adultos chegam até este blog procurando entender o que significa Asperger e descobrem, durante essa busca, que hoje esse diagnóstico faz parte do Transtorno do Espectro Autista.
Mais importante do que o nome é compreender o significado.
Independentemente da nomenclatura utilizada, continuo sendo exatamente a mesma pessoa.
O diagnóstico não mudou minha personalidade.
Não mudou meus valores.
Não mudou minha história.
Ele apenas me ajudou a compreender por que sempre enxerguei o mundo de uma maneira diferente.
Durante muitos anos, acreditei que precisava me esforçar para ser como as outras pessoas.
Hoje penso diferente.
Não preciso ser igual a ninguém.
Preciso compreender quem eu sou.
Também aprendi que o autismo não pode ser resumido apenas às dificuldades.
É verdade que algumas situações exigem mais energia. Interações sociais podem ser cansativas. Ambientes com excesso de estímulos podem provocar sobrecarga. Mudanças inesperadas nem sempre são fáceis.
Mas também existem características que considero valiosas na forma como meu cérebro funciona.
Gosto de observar detalhes que muitas pessoas não percebem.
Costumo analisar situações com bastante racionalidade.
Tenho facilidade para dedicar longos períodos aos assuntos que despertam meu interesse.
Em algumas situações, justamente por interpretar as palavras de forma mais literal, deixo de perceber ofensas indiretas ou mensagens nas entrelinhas que poderiam me machucar. Isso nem sempre é uma vantagem, nem sempre é uma dificuldade. É apenas uma forma diferente de compreender a comunicação.
Foi essa percepção que transformou minha maneira de olhar para mim mesmo.
Passei a respeitar meus limites sem deixar de desenvolver minhas capacidades.
Aprendi que aceitar o autismo não significa desistir de crescer.
Significa conhecer melhor a si mesmo para seguir em frente com mais consciência.
É exatamente esse o propósito do Mundo Atípico TEA.
Não escrevo para despertar pena.
Também não escrevo para convencer ninguém de que o autismo é um superpoder.
Escrevo porque acredito que informação, experiência e autoconhecimento podem tornar a caminhada de outras pessoas um pouco mais segura.
Se minhas experiências ajudarem um adulto que acabou de descobrir o autismo, uma família que busca compreender melhor um filho ou um educador que deseja enxergar seus alunos com mais sensibilidade, então este blog já terá cumprido sua missão.
Se você chegou até aqui pesquisando "O que é a Síndrome de Asperger?", espero que tenha encontrado mais do que uma definição.
Espero que tenha encontrado um convite para compreender que o autismo não define todo o valor de uma pessoa.
Ele é apenas uma das muitas características que fazem parte de quem somos.
E conhecer essa característica pode ser o primeiro passo para viver com mais tranquilidade, autonomia e esperança.

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