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Mundo Atípico: não sou defeito, sou diferente

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Durante grande parte da minha vida, as pessoas viam em mim apenas um homem tímido, quieto, reservado ou "diferente". Poucos percebiam o que realmente acontecia dentro de mim. Desde criança, sempre observei mais do que participei. Enquanto muitos conversavam com facilidade, eu preferia ouvir. Enquanto outros pareciam se adaptar naturalmente aos ambientes, eu sentia cada detalhe: os barulhos, as mudanças, as expressões das pessoas e até aquilo que ninguém parecia notar. Por muitos anos, não encontrei explicação para isso. Eu apenas seguia em frente, acreditando que precisava me esforçar mais para ser como os outros. Mas, por mais que tentasse, sempre existia algo que me fazia sentir diferente. O diagnóstico tardio de autismo trouxe respostas que eu procurei durante décadas. Muitas experiências da minha vida finalmente passaram a fazer sentido. Não era preguiça. Não era falta de vontade. Não era falta de inteligência. Também não era escolha. Era autismo. Era uma forma diferente ...

Autistas e o Pensamento Literal: Quando as Palavras Ferem ou Confundem

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Quando eu era criança, uma frase que ouvi na escola me deixou inquieto por dias: “ Hoje vai chover canivete. ” Aquilo me assustou. Fiquei esperando a chuva cair, com medo de me machucar. O mais estranho era que ninguém parecia se importar. Ninguém levou guarda-chuva. Ninguém fugiu do céu. Só eu, parado, tentando entender como as pessoas conseguiam rir de algo tão perigoso. Viver com autismo é isso: as palavras são reais. Não vêm com entrelinhas, nem figuras de linguagem. O pensamento literal não é erro. É o modo como a gente interpreta o mundo, com sinceridade absoluta. Vou explicar melhor esta literalidade, com a história de Benício Pereira, personagem fictício, mas os fatos aconteceram comigo. Capítulo 1 – O Mapa Invisível Benício Pereira tinha 9 anos e um mundo só dele, desses que não cabem na fala comum, mas se revelam nos gestos, nos olhos atentos e no silêncio cheio de sentidos. Vivia desenhando mapas invisíveis com os pés, andando pelas ruas do bairro como um explorador que não ...