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Quando tudo é dito nas entrelinhas

Tenho muita dificuldade em entender mensagens implícitas, ironias, metáforas e falas indiretas.

Quando algo não é dito de forma clara, objetiva e direta, eu simplesmente não entendo por completo.

Se um texto usa códigos, significados escondidos ou espera que eu “deduza” algo que não está explícito, eu travo.

Nessas situações, muitas vezes preciso que outra pessoa me explique:

“o que exatamente esse texto quer dizer?”

Isso acontece muito em pregações religiosas. O pregador faz a exposição do tema, mas quando entra nos exemplos “nas entrelinhas”, nas metáforas ou nas mensagens indiretas, eu me perco. As pessoas ao redor parecem compreender naturalmente. Eu não.

Na faculdade, isso foi ainda mais difícil.

Os textos de sociologia são, em grande parte, escritos nas entrelinhas. O autor não diz tudo de forma direta. O professor faz perguntas esperando respostas que não estão literalmente no texto. Os colegas entendem rápido. Eu não.

Eu estudava, lia, relia, tentava entender… mas não era fácil.

Com o tempo, precisei criar uma estratégia de sobrevivência acadêmica.

Fora da sala de aula, nos corredores, os colegas sempre discutiam os textos. Eu não chegava a interagir diretamente com o grupo, não puxava conversa, não debatia. Mas só de ouvir a discussão, de escutar como eles interpretavam o texto, aquilo já era suficiente para que eu finalmente entendesse o que eu tinha lido.

Eu montava o sentido a partir do que os outros diziam.

E assim foi minha faculdade.

Não tive as melhores notas.

Não fui o aluno brilhante das discussões em sala.

Mas consegui sobreviver academicamente.

E isso me custou muito por dentro.

Não é falta de inteligência.

Não é desinteresse.

Não é preguiça.

É diferença de funcionamento.

Meu cérebro precisa de clareza, objetividade e literalidade. Quando tudo é jogado nas entrelinhas, o mundo fica confuso, cansativo e exaustivo. Ainda assim, eu segui. Do meu jeito. Graças a Deus!








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