Do Operacional ao Estratégico

Minha Caminhada como Técnico de Gestão Pública (TGP): Um Olhar Autista Sobre Crescimento Profissional

Quando a gente fala em carreira pública, muita gente imagina estabilidade. Mas, na prática, existe algo muito mais profundo: processo, evolução e consciência do próprio papel dentro do sistema.

Hoje eu quero explicar, de forma simples e real, a diferença entre os três níveis do cargo de Técnico de Gestão Pública (TGP): Classe A, Classe B e Classe C. E mais do que isso, quero mostrar como essa evolução aconteceu na minha própria vida.


Classe A (TGPA01): O começo (aprender fazendo)

Quando entrei na Prefeitura de Londrina, comecei como TGP Classe A.

Esse é o nível mais básico. Aqui, o trabalho é essencialmente operacional:

  • Atendimento ao público

  • Organização de documentos

  • Protocolos

  • Digitação

  • Rotinas administrativas simples

É o nível onde a gente aprende o funcionamento do sistema por dentro.
Sem glamour. Sem autonomia. Mas com muito aprendizado.

No meu caso, foi um período importante. Mesmo com minhas dificuldades sociais e sensoriais, fui entendendo como as coisas funcionavam, no meu ritmo, do meu jeito.


Classe B (TGPB01): O entendimento (quando o sistema começa a fazer sentido)

Depois, surgiu a oportunidade.

Prestei prova de Capacitação e Habilidades, e fui promovido para TGP Classe B.

Aqui, muda tudo.

Você deixa de ser apenas alguém que executa tarefas e passa a ser alguém que:

  • Entende processos

  • Analisa documentos

  • Redige textos oficiais

  • Organiza informações com mais responsabilidade

  • Atua de forma mais técnica dentro da administração

É o momento em que o sistema começa a fazer sentido.

No meu caso, isso teve um impacto muito forte. Como pessoa autista, eu sempre tive facilidade com padrões, organização e lógica. Na Classe B, isso deixou de ser apenas uma característica pessoal e passou a ser uma ferramenta de trabalho.


Classe C (TGPC01): O próximo passo (pensar o sistema)

Agora, estou olhando para o próximo nível: Classe C.

Esse nível é diferente de tudo que vem antes.

Aqui, o profissional:

  • Analisa processos com profundidade

  • Emite pareceres

  • Participa da criação de normas e projetos

  • Propõe melhorias

  • Atua diretamente no planejamento e na gestão

É quando você deixa de apenas trabalhar dentro do sistema…
e começa a pensar o sistema.


Minha realidade hoje

Hoje sou TGPB01.

Mas não estou parado.

Estou me capacitando, estudando, me preparando, porque sei que, quando surgir uma nova oportunidade de promoção para a Classe C, preciso estar pronto.

E essa preparação, para mim, não é só técnica.

Ela envolve:

  • Lidar com minha ansiedade

  • Respeitar meus limites como autista

  • Encontrar formas mais silenciosas e organizadas de aprender

  • Transformar minha forma de pensar em algo produtivo


Um olhar sincero sobre essa trajetória

Se eu pudesse resumir tudo em uma frase, seria assim:

  • Classe A: você aprende a fazer

  • Classe B: você aprende a entender

  • Classe C: você aprende a pensar

E, no meu caso, essa caminhada tem um significado ainda mais profundo.

Porque não é só uma evolução profissional.
É também uma evolução pessoal.

É a prova de que, mesmo com dificuldades sociais, sensoriais e emocionais, é possível crescer, sem deixar de ser quem você é.


Conclusão

Eu ainda não cheguei na Classe C.

Mas já não sou mais o mesmo que entrou na Classe A.

E talvez seja isso que mais importa.

O crescimento não acontece de uma vez.
Ele acontece em camadas, no tempo certo, do jeito possível.

E eu sigo.

Me preparando. Em silêncio. No meu ritmo.

Mas seguindo.


✍️ Vilmar Francisco de Oliveira
Mundo Atípico TEA


TGP


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