Eu não sou incapaz.
E isso precisa ser dito com clareza.
Eu não tenho deficiência intelectual.
Tenho formação superior, especializações e uma mente que funciona: e funciona bem.
Eu penso, analiso, aprendo, produzo.
Sempre fui capaz.
Mas durante muito tempo, me fizeram acreditar que o problema estava em mim.
Hoje eu entendo:
o problema nunca foi minha capacidade.
O problema foi o ambiente.
Minhas dificuldades existem: e eu não nego isso.
Mas elas não são cognitivas.
Elas são sociais.
São sensoriais.
São comunicacionais.
São os barulhos que invadem minha mente como se não tivessem filtro.
São as interações cheias de códigos ocultos que ninguém explica, mas todos esperam que eu entenda.
São ambientes que exigem adaptação constante, como se eu tivesse que me moldar o tempo todo para caber.
E isso cansa.
Isso desgasta.
Isso adoece.
Quando o ambiente me respeita, algo muda completamente.
Eu consigo me concentrar.
Consigo participar.
Consigo ser quem eu sou: sem esforço extremo.
Mas quando não respeita, não é uma questão de “não conseguir”.
É uma questão de não suportar.
E isso é muito diferente.
Inclusão não é me empurrar para dentro de um padrão e esperar que eu me adapte infinitamente.
Isso não é inclusão.
Isso é sobrecarga.
Incluir é ajustar o ambiente.
É reduzir o ruído.
É tornar a comunicação clara.
É permitir pausas.
É entender que o meu jeito de existir não é errado: é apenas diferente.
Eu não preciso que reduzam minha capacidade.
Eu preciso que respeitem minha forma de funcionamento.
Porque, no fim, a verdade é simples, e também incômoda:
Nunca foi falta de capacidade.
Sempre foi falta de ajuste.
Reflexão:
Se uma pessoa só funciona em ambientes específicos, o problema não está nela.
Está na rigidez dos ambientes que não aprendem a incluir.

Comentários
Postar um comentário