Reflexões de um Autista Adulto que Passou a Vida Mascarando a Si Mesmo Por muito tempo, eu fui um personagem. Mas não um personagem por escolha, e sim por sobrevivência. Passei a infância e adolescência tentando parecer “normal”, tentando me encaixar em um mundo que não parecia feito para mim. Barulhos, falatórios, olhares, expectativas sociais… tudo parecia pesado demais. Eu achava que o problema era comigo. E, na ausência de respostas, o que eu fiz foi imitar o que eu via. Copiar trejeitos, expressões, formas de falar, de agir. Eu aprendi a ser neurotípico sem nunca ter sido. Recentemente, descrevi essa sensação a alguém: é como crescer em uma família brasileira e, aos 40 anos, descobrir que você foi trocado na maternidade e sua família verdadeira era de outra nacionalidade. De repente, tudo faz sentido, mas também tudo desmorona. A língua, os costumes, os códigos sociais… nada era realmente seu. Essa descoberta me atravessou profundamente e, ao mesmo tempo, abriu espaço para um alív...